quarta-feira, julho 23, 2008

Onde Estão as Borboletas?

Não sei se já se deram conta desse pequeno nada, talvez porque seja um pequeno nada, poucos tenham dado por ele, mas onde estão as borboletas? Há uns anos eram aos milhares, invadiam as ruas e os quintais, apareciam em todo o lado e por toda a parte, agora já não aparecem em lugar nenhum, ou se aparecem, aparece uma ou outra tímida e triste, tão triste que dá pena.

Para onde foram? O que as fez desaparecer? Onde estão as borboletas da minha infância? Mesmo as mais comuns como a borboleta da couve ou a sarapintada, desapareceram, nunca mais vi uma flâmula ou uma ariana, muito menos a rabo-de-andorinha, ou a linda enxofrada, também as traças e mariposas nocturnas deixaram de se ver, bem como os fantásticos enxames de besouros que pululavam por cima das flores da laranjeira que perfumavam com o seu aroma adocicado os fins de tarde dos verões de há 30 anos, onde estão?

Onde estão os verdilhões que se encarniçavam à volta da ameixoeira velha, debicando as grandes nódoas vermelhas e dulcíssimas que brotavam entre o mar revolto de verde, os pintassilgos e bicos de lacre, as pequeninas miritas e as felosas, a alvéola pousada no fio de secar a roupa, onde está a poupa com o seu traje de luces, rebrilhando por entre a erva alta, onde andam, por onde voam agora?

Onde anda toda esta vida que nos encantava com os seus volejos, pios e trinados, onde voam agora, talvez só na nossa imaginação, presa nessa passado ao qual não conseguimos voltar nem podemos fugir, enredados nas teias de aranha cheias de orvalho que pontuavam nas manhãs frescas dessa doce inocência já perdida, onde estão as borboletas?

Tragadas pelos carros e pelo alcatrão, cimentadas em camadas grossas de betão, gaseadas e envenenadas por milhentos gases e venenos, esturricadas e queimadas reduzidas a cinzas, mortas e esquecidas, por quem não acha que uma borboleta seja importante.

Devolvam-me já as minhas borboletas, seus energúmenos, seus imbecis mangas de alpaca nojentos, que destroem esta terra com o desprazer e a insensatez dos pobres de espírito, traçaria alegremente uma borboleta por todos os campos de golfe e aldeamentos, por auto-estradas e loteamentos por prédios e construções aberrantes que a súcia de imbecis que manda deixa plantar a cada esquina. Devolvam-me as borboletas e a alegria de viver neste país!

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

3 comentários:

Abril disse...

Olá amigo...

As borboletas,verdelhões,pintassilgos,bicos de lacre e as miritas,andavam por exemplo na Herdade dos Gagos e na ribeira de Marianos.
Andavam...digo bem,porque o que vai passar a haver naqueles campos,são outros "verdelhõs" metidos em outras gaiolas.Isto com a "benção"de outros "bicos de lacre",mas com a cor do lacre muito desmaiada.Aliás são tão descoloridos que não se parecem com nada...nem cor de BURRO quando foge.

Um abraço

Talk Talk disse...

Nunca tinha pensando nisso... mas tens razão! È raro ver uma nestes dias.

Um abraço

Miguel RF disse...

Como diz e bem a súcia que nos comanda impede que estas e outras coisas lentamente desvaneçam da nossa memória.

Abraços