terça-feira, março 04, 2008

Ó pá...

Isto das instituições públicas têm que se lhe diga, há sempre barafundas e questiúnculas, há sempre gente com brio e gente sem brio nenhum. São várias as vezes que tenho “disparatado” com gente menos correcta, alias até eu já fui alvo de uma queixa aqui no serviço por, ao que parece ter sido pouco educado, eu deveria ter partido os cornos à cavalgadura mas enfim andando. Com ou sem razão lá vamos protestando, o que é bom, pois faz com comecemos a ser todos um nadinha mais civilizados, espero!

Num destes dias foi aos correios aqui da terreola, levantar uma encomenda da minha mulher, porque essa é outra questão senhora Ministra da Educação, quem dá aulas não tem tempo para mais nada, mas andemos, ás nove em ponto lá estava eu pespegado à fria porta de metal vermelho e vidro cheio de cagadelas de mosca da estação dos correios, tinha chegado à dez minutos, tivera já tempo de fumar um cigarrito, enquanto olhava os rostos dos passantes, os olhos mortiços e cabisbaixos, recostado numa daquelas máquinas de venda automática de selos que estão à porta das estações dos correios, esta graciosamente adornada no topo com uma fantástica camada de merdum de pombo que alegremente usam a maquineta como sanitário, e que nenhum dos diligentes funcionários se dedica a limpar, é um repasto para os olhos, tirar o selozito da maquineta enquanto podemos observar toda a paleta de cores merdal da insuspeita caganita do pombo, um belo exemplo deste nosso país.

Ora abre-se a portinhola e eu, como era o primeiro da já longa bicha, avanço, decidido para a maquineta das senhas, afinco-lhe uma dedada e lá cai o papelete de cor deslavada com um número, por entre o clac clac de gralhas da audiência alguém dá um sonoro berro e diz ...ó pá, não tirem as senhas!...

- Ó pá? Ó pá o quê? A senhora conhece-me de algum lado? Ora esta agora, ó pá! Isso são maneiras de falar com as pessoas?

- Disse eu. De dentro do balcão de atendimento, uma criatura de ar baço e pele macilenta e esbranquiçada olhava para mim por sobre os óculos, fitei na cara e disse-lhe, «não esteja a olhar assim para mim, acha que me assusta com esse ar de morto vivo, não olhe assim para mim! – Acto continuo a criatura baixou os olhos e continuou o que estava a fazer, a colega que havia proferido o tal “ ó pá”desculpava-se dizendo que tinha dito aquilo para a colega e não para os clientes, ao que eu lhe disse que não punha em causa a justeza desse pleito, mas que a senhora haveria de concordar que estando numa instituição pública aqueles trejeitos não eram apropriados para atender o público além disso podiam causar mal entendidos como este.

Diligente avança o chefe, presumo que o fosse pois estava de gravata e neste país gravata é sinal de chefia de doutor ou pior. Claro que desculpasse porque a maquina das senhas e tal não estava preparada e porque torna e porque deixa, olhe caro amigo, experimente vossa excelência fazer uma coisa, tornei eu, experimente uma coisa que eu faço lá no meu emprego, experimente entrar cinco ou mesmo dez minutos mais cedo, verá que quando os clientes entrarem estará tudo pronto para trabalhar, sem haver necessidade de esperas e desesperas, de mal entendidos e de olhares cretinos.

Mais uma vez, é curioso que fui o único que estrilhei, esta minha mania parva, os outros carneiros capados que estavam lá dentro, ou sentiram-se muito bem a ser tratados por ó pá, por alguém que não conhecem ou então estão tão habituados a serem tratados como gado que já nem notam, pois eu não. Não me tratem como gado, já pouco me resta, mas a minha dignidade é minha e eu exijo respeito, ademais num local que é público, que eu contribuo para pagar os ordenados, respeitem-me como eu, os respeito.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

10 comentários:

Anónimo disse...

CARO BARÃO CONCORDO CONSIGO E TAMBÉM SINTO NA PELE ESSES PROPÓSITOS, PRINCIPALMENTE NOS SERVIÇOS PUBLICOS.
DETESTO QUANDO TENHO QUE FAZER USO DE UMTOM MAIS ELEVADO E CHAMAR PESSOAS COM MAIS IDADE DO QUE EU, FAZENDO-OS RACIOCINAR E MOSTRANDO-LHES QUE NÃO SOMOS CARNE PARA CANÃO, NÃO ESTAMOS PARA ATURAR AS SUAS MÁS DISPOSIÇÕES, E ERROS QUE ACABAM POR NOS PREJUDICAR.
A DIGNIDADE É UM DOS POUCOS PRINCIPIOS QUE FAZEM ALGUMAS PESSOAS, POUCAS, AINDA "AFINAR".

Diabólica disse...

N podiamos estar mais de acordo.

E devo dizer que somos ambos muito parecidos, tb eu me indigno e respodo à letra a esses "seres" que se julgam donos do mundo.

A prepósito para ilustrar essa mesma situação, gostava que visitasses o meu blog para opinares sobre o meu último post.

Beijos

padeirinha disse...

Sem dignidade, o que somos?
O respeitinho exige-se e bem.

Anónimo disse...

Ó pá, essa da gravata está mesmo porreira.
Mas essa deixa de entrar mais cedo uns minutos e verificar se tudo está porreiro para abrir é o máximo, queria ver, alguém entrar mais cedo para verificar o que quer que seja.
Já não se usa, isso era no antigamente.
Hoje fatinho e gravata dá SAINETE.
Mas claro, com deixas do PM , Ó PÁ estás BOM.
touaqui42

António Lisboa Gonçalves disse...

Quando temos um PM, que se dirige ao Presidente da UE com um "porreiro, pá", o que esperar dos restantes!
Custa ignorar a forma como se tratam os cidadãos que necessitam de recorrer a qualquer atendimento público, fica sempre a sensação de que se trata de um favor e ainda por cima, pretendem fazer-nos passar por mentecaptos, acontece que, no que me toca, respondo sempre à letra, bastando por vezes, perguntar se tem a cereza do que me está a dizer! Remédio santo.

Cumprimentos

Leonor disse...

ola barao
pois. quem é professor tem um horario que nao para nada. tem mesmo de faltar para tratar de um assunto urgente.no banco por exemplo, acabamos por usar as maquinas para tudo, depositar, levantar, pagar e cheques. ao menso essas nao nos respondem mal e ainda sao educadas naqueles recados chatos de dirija-se ao multibanco mais proximo.
mas resumindo o teu post.quando alguem levanta garimpa os outros so ficam a ver. resquicios do tempo dos romanos em que se deleitavam com os crsitaos nos leoes.
beijinhos

Francis disse...

Repara, se os pombos cagaram na máquina, a culpa é dos pombos e não dos Serviços. O Ministro da administração Interna poderá confirmar-te isto.
Se o gajo estava de gravata, então era mesmo o Director. Não há dúvida!

Um abraço!!!

A. João Soares disse...

Que isso tenha acontecido é muito mau, embora mais frequente do que seria desejáve. Mas que o tenha trazido para qaqui, com uma descrição tão perfeita, é um acto de serviço público, um incentivo a que todos façam o mesmo, refilem, usem o livro de reclamações, etc.
Temos que deixar de ser ovelhas mansas.
Abraço

No blog Do Miradouro há novos artigos

nuvem disse...

Ó pá... Isso são fiéis seguidores do nosso Primeiro pá... são uns porreiros pá!

Beijinhos e boa semana :)

Anónimo disse...

Sr Barão
Até concordo com a sua opinião. Mas deixe-me dizer-lhe uma coisa: espero que o sr na sua profissão seja melhor que as funcionárias do correio.Zé do Telhado