terça-feira, dezembro 18, 2007

De novo, há noite!

Parece que todos descobriram de súbito a noite, o seu submundo e as suas sub-culturas, parece que andaram todos distraídos durante muito tempo, durante uma enormidade de tempo, ao ouvi-los a falar, farto-me de rir, os únicos poucos que falam, acertadamente, sobre os meandros da noite são os cavalheiros da PJ, os dois que ouvi, um sindicalista e outro ex-PJ, revelam muito conhecimento do que é a noite, não dizem tudo, claro, deformação profissional, os outros que ouvi, advogados, juízes e politiqueiros de quinta categoria, mostram bem o estado miserável a que isto chegou, pois nenhum deles tem a mínima noção daquilo que fala.

Ouviu um juiz, debitar barbaridades umas atrás das outras, num chorrilho de estultices que prova bem que os nossos magistrados, andam a leste do paraíso, claro, com casa e carro à borla, mais despesas pra isto e para aquilo, é normal que os camaradas não percebam o paiszeco em que vivam.

Ontem mesmo uma senhora advogada dos galfarros catados na noite do Porto, dava-se ao desplante de chamar “show off” à operação levada a cabo, pela PJ, que levou à detenção de uma série de metralhas da noite, a senhora advogada deveria ter o bom senso de não proferir bojardas daquelas, alias os senhores advogados em geral deveriam ser mais comedidos no seu palavreado, deveriam coibir-se de fazer juízos de valor por vezes a roçar o imbecilóide, deveriam não fazer aquilo que tanto apregoam, que é não julgar na praça pública, ainda que aquilo tudo tenha sido realmente um “show off” porque a Directoria da PJ do Porto se sentiu magoada com a cretinice, porque é uma completa cretinice, a nomeação de uma equipa especial de procuradores e mais não sei o quê, para fazer sabe-se lá o quê, sim porque os procuradores não vão investigar, quem investiga e recolhe prova são as equipas no terreno, às quais faltam, meios, dinheiro, tecnologia e sobre tudo vontade politica para realmente resolver muito do crime que por cá começa a existir, ora mesmo que isso tudo seja verdade a senhora advogada deveria tê-lo guardado para si e fechar a bocarra, decidiu falar, e quando o macaco do jornalista lhe fez uma pergunta daquelas lixadas, pois aí a dôtora, engasgou-se e ficou com cara de asno para todo o Portugal ver.

Os politiqueiros de serviço, enfim tomaram as medidas costumeiras, discursos de circunstância, poses graves de quem parece preocupado, mas não está, porque se estivessem à muito que a legislação estaria feita e colocada em prática, há muito que as polícias teriam meios para fazer face à nova criminalidade, mas como existe muito bom menino do poleiro com o rabo entalado, a coisa fica assim como está.

O que aconteceu na noite do Porto, era uma tragédia anunciada, poderá voltar a acontecer, em Lisboa já aconteceu, mais controlado é verdade, e tem que ver com as mudanças que se operaram na turma da segurança, a meio dos anos 90 a “velha Guarda” rendia a parada aos lobos jovens, esfaimados, os armários entupidos até às meninges de esteróides, burros que nem portões de quinta, a escola velha de segurança ainda sobrevive, mas não chega para a novelle vague, uma vaga nova muito bem organizada, enquadrada e treinada, com armamento novo e letal com novos métodos de financiamento, a droga essencialmente, e fenómeno curioso associados a elites poderosas do mundo do futebol, das empresas e da politica, onde prestam serviços de cão de fila, como alias se tem visto várias vezes na televisão, quem esteja atento, consegue vê-los sempre por perto.

Os bairros sociais são viveiros de excelência para esta rapaziada, que transferem para a realidade a alienação em que vivem, como tudo parece de súbito ligado, caramba, miséria, gera revolta que gera violência, que atinge os próprios ou os inocentes, os culpados, aqueles que pagam que gerem que mandam ficam sempre incólumes.

Por tabela apanha sempre a arraia-miúda, nós, os tristes pagantes de impostos, os tais que pagam os rendimentos mínimos a muita desta escumalha e os ordenados aos outros aos senhores do colarinho branco, que gordos e anafados tem o poder de fazer, por artes mágicas, desaparecer escutas, corromper meio mundo e sair sempre airosos da situação, conheço bem demais este mundo, convivi com ele muito tempo, demais.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

13 comentários:

Zé da Burra o Alentejano disse...

Força compadre Barão de Tróia! Este país está a afundar-se na criminalidade, corrupção e terrorismo. Terrorismo porque tudo vale para afastar os adversários: ameaças, agressões, violação e destruição de património, etc. Terrorismo porque pretende inspirar terror ou medo.

É demasiado redutor limitar-se a designação de "terrorismo" a actos violentos conotadas com a política e lembra até a designação dada pelo anterior regime às acções militares dos movimentos de libertação dos novos países africanos de língua portuguesa: eram os "terroristas".

Anónimo disse...

Amigo Barão , explicástes e bem a questão das Noitádas Nortenhas.
Assim como explicastes as baforadas de alguns comentadores de TV.
É que se continua a insistir que foi ao esforço do Pessoal (VOLUNTÁRIO) que a acção se deu.
Havia falta de verba para algo e dizes e muito bem que certos juizes teem carro á ordem.
Á dinheiro para umas coisas e não á para outras mais necessárias claro.
Mas isso é outra história.
Mas nisto tudo quem ficou mal foi a PJ do Porto, mas, que podiam fazer se se diz que havia falta de verba para tudo e mais alguma coisa.
Boas Festas
touaqui42

Andreia do Flautim disse...

Estamos a ficar sem segurança...

padeirinha disse...

Este tipo de seguranças altamente perigosas, surge quando a polícia é retirada dos locais nocturnos( costumavam estar à porta das discotecas) e deixa de haver qualquer tipo de controlo.
Aliás, os seguranças, regra geral, são elementos destabilizadores dentro das discotecas, porque são altamente provocadores. Ou seja, têm o efeito contrário.

O Micróbio II disse...

FELIZ NATAL!! :-)

♥≈Nღdir≈♥ disse...

Os meus sinceros votos de BOAS FESTAS.
Espero que o Pai Natal seja generoso e que distribua muito amor, paz, saúde e carinho.

Mil Beijos ≈©≈♥Ňąd¡®♥≈©≈

musqueteira disse...

Viva barão! Que DEUS nos valha...a todos aqui nesta tamanha Ditadura Silênciosa. Bem faz El Rey Juan Carlos... que não tem medo de novos ditadores. aqui se cala, o que não se quer escotar, e se perdoa a quem muito tem a perdoar. é assim. o que de melhor tem a democra-o-interesse. o resto...é mero deserto.

missixty disse...

Vim desejar-te um Feliz Natal!~
beijinhos missixty

Klatuu o embuçado disse...

A vida é tão complicada depois de - TOING!! - cair a noite! :)

Bom Natal pá!

nuvem disse...

Como sempre assertivo e pertinente.

Os meus desejos de um Feliz Natal.

Mil beijos

Zé da Burra o Alentejano disse...

Infelizmente, os suspeitos acabaram por não ser acusados de "terrorismo". Assim, parece que se confirma a reserva daquele termo para os casos políticos. Porém, de acordo com a língua portuguesa "terrorismo" deriva de "terror" e designa o acto de incutir esse terror em alguém. Assim quem actua de forma a incutir terror em alguém deveria ser um terrorista.

Opta-se pela conotação política dos actos violentos e de intimidação para lhe atribuir a designação de "terrorismo".

No anterior regime os movimentos de libertação dos novos países africanos de língua portuguesa eram apelidados de "terroristas" e depois de da independência foram designados como "heróis".

brit com disse...

O blog "O Cartel"
deseja um Feliz Natal e um Bom Ano Novo, de preferência com mais soluções do que problemas...

Isabel-F. disse...

Não há limites para o homem que possui a capacidade de sonhar. É necessário muito pouco para provocar um sorriso e basta um sorriso para que tudo se torne possível.
Descobrimos que o Ano que termina vale a pena, quando começamos a enviar e receber os cartões de Natal. Afinal, de algum modo, aprendemos que o que realmente importa são os sentimentos, é o amor... É estarmos ligados, unidos. É isto que comemoramos: O nascimento da esperança de um mundo melhor. Muita paz, alegria e amor na tua vida e de todos que te são queridos. Feliz Natal! Feliz 2008.
Beijinhos
Isabel Filipe