quarta-feira, setembro 12, 2007

Ir para o Maneta

Expressão fantástica do quotidiano Luso, nascida ao tempo das invasões francesas, querendo significar, dar cabo de alguém ou de algo, faz justiça ao General Henri-Louis Loison, que tendo perdido um braço, era ao que consta mau como as cobras, tendo feito algumas da suas muitas galfarrices, aqui em território nacional nos idos de 1807-1808, leiam o livro “Razões do Coração” de Álvaro Guerra, um delicioso romance sobre o Portugal das invasões francesas ou a obra “Aqui não Passaram” do General Carlos Azeredo, que numa obra de excelência analisa com o seu brilhante olho de estratega e militar, o panorama, social, politico e militar das invasões.

Mas não é de história que vos quero falar, é de civismo e de uma minha mania parva, talvez porque tudo esteja ligado, e o episódio das invasões também explique alguma coisa do carácter nacional. Da minha casa ao meu local de trabalho, distam cerca de 500 ou 600 metros, percurso que faço diariamente a pé, cumprindo assim a minha parte na ajuda ao ambiente.

Nesse percurso passo por 3 ou 4 contentores do lixo, que invariavelmente estão abertos, para maior prazer de cães, gatos, mosquedo e outra bicharada, pleno de zelo comunitário lá me aproximo do mastronço e lhe cerro a bocarra. Distância igual percorro do meu local de trabalho até casa dos meus pais onde normalmente almoço, percorro igualmente a pé, até porque Almeirim é uma terra porreira para andar a pé, é toda plana, é pequenina e não fora as carripanas, de algumas alimárias, estacionadas em cima dos passeios e a velocidade estrepitosa de muitos imbecis automotorizados, o percurso ainda seria mais agradável.

Neste percurso o cenário é idêntico, passo por mais 2 ou 3 contentores do lixo, que sem surpresa volta e meia estão de tampa aberta, por vezes a deitar por fora as mais belas surpresas, galinhas, gatos e outras bichezas mortas, tripas, estrume, caquinha de tudo quanto é bicharada, enfim um pitéu para bactérias e germes e um regalo para a vista. De novo aqui o papalvo, se aproxima sorrateiro e truca, encerra a cloaca, que alguém mais distraído deixou aberta.

Agora pergunto eu, que raio de gentalha é esta que nem a porcaria dos contentores tem a preocupação de encerrar? Ora são os meus dilectos e porcinos conterrâneos, que fazem até certo gáudio em demonstrar a sua boçalidade e veia suína, não poucas as vezes, que fecho uma tampa, quando vou no percurso para o almoço e 40 minutos depois no regresso já o mesmo contentor está de boca ao léu.

Não se pense, que isto é produto de gente de baixo calibre, de ralé, não, já assisti a muita boa senhora doutora e senhorico de pose galante, deixar o troçulho à vista, mostrando a quem passa que o grau académico não invalida que sejam na mesma uns porquinhos sebentos iguais aos que só têm a quarta classe tirada à noite.

Pois com tanta gente capaz e fina, com duas mãozinhas a funcionar, toca sempre aqui ao parvo do maneta andar a fechar a porra das tampas, “…fizessem todos um pouco do que eu faço, muito me poupariam em tempo e cansaço…”

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

17 comentários:

125_azul disse...

btComo te compreendo! Na minha rua é igual, nem sequer conseguem distinguir o contentor do lixo doméstico do de lixo reciclável, coisa que qualquer chimpanzé consegue...
Beijinhos e XANAX, caro Barão.

telmo marques disse...

epá, Miguel, e eu que pensava ser o único a sentir-me estranhamente fora de moda por fechar as tampas dos contentores abertos... infelizmente também já reparei que muitas vezes os técnicos de limpeza quando esvaziam o contentor para dentro da camioneta do lixo, o deixam depois aberto, porquê não sei. Mas existem aqueles mais civilizados que não deixam a tampa aberta (porque nem sequer a abrem) e simplesmente deixam o seu saquito do lixo à beira do dito contentor. Mas enfim, provavelmente é tudo resultado de algum simples e momentâneo descuido.

A. João Soares disse...

Muito bem. Gosto de ver um Barão a dar bons exemplos!!! E repare que a TV fala nesses cuidados a ter com o ambiente. Mas essa gentalha sem civismo só quer a TV para ver as novelas e o futebol.
Agora que tanta propaganda se faz da abertura das aulas é pena não se falar da educação a ministrar aos miúdos, ensinando-lhes o respeito pelos outros e pelos bens colectivos, aqueles que não são exclusivamente de ninguém.
A falta de educação na nossa sociedade convive pacificamente com a mais alta escolaridade, o que mostra que é errado falar de ministério da «educação»
Abraço

Joana Dalila Santos disse...

=)

Naty disse...

Ola realmente e bonito dar bons exemplos só é pena é que a minoria e que cumpre.
bjs naty

antonio disse...

O meu amigo trabalha a 500m de casa, almoça na mamã comidinha caseira e vem para aqui protestar, por causa de contentores abertos?

É contra este tipo de privilégios que me bato. O meu amigo deveria ter um agravamento no IRS!

Obrigado pela visita.

missixty disse...

ehehe! Isso da higiene e do civismo nada ter haver com o grau académico já eu sabia. Nao tem nojo de abrir, mas tem nojo de fechar! Tem de desenvolver um design mais prático para essas ditas tampas, paras ver se o pessoal atina!

David Alves disse...

Pois é... trata-se acima de tudo de uma questão cultural ou então de uma falta de paciência para fechar os contentores... é que é uma trabalheira...

antonio disse...

Bom sentido de humor, no comentário lá pelo meu sítio.

marenostrumforever disse...

É assim em todo o lado... Este país precisa de ser reciclado.

Anónimo disse...

Como te compreendo ó barão.
Mas lá se diz que a EDUCAção não se compra, tem-se logo á nascença.
E nem os Canudos os salvam da questão de mostrar os PORCOS que vivem junto ás pocilgas.
Mas como diz o seu amigo antónio são privilégios que deviam pagar mais IRS.
No antigamente dizia que era tudo a papel quimico, mas hoje é só tirar fotocópias.
touaqui42

Sininho disse...

Cá está o retrato bem conseguido do tipo de "civismo" que encontramos a cada passo, conforme os locais.
Ainda hoje, ao saír a porta do prédio onde resido, quase pisei o lulu que estava, encostado ao degrau da entrada, na posição expectante de largar o presentinho.
O dono, de braços cruzados, esperava, com um sorriso de beatitude, o finalizar da operação.
Foi uma bela maneira de começar o dia.
Se a próxima geração fosse ensinada, talvez as coisas mudassem.
Mas a geração actual é a tal porcalhona que não sabe ensinar.
Logo...

Utzi disse...

... :)

Bom fim de semana.

Um beijo

Anónimo disse...

Sou obrigado a pedir-te que vejas a coisa pelo lado positivo: Ainda assim, deitam o lixo no lixo, o que até já não é mau!!!
Cá na minha palhota, que é uma espécie de "estância de férias" de Agosto, já não bastavam as bestas locais, senão ainda temos que levar com "tuguista" veraneante para quem o caixote do lixo é tudo o que seja exterior ao apartamento.
Meu amigo, os sacos do lixo são deixados no passeios em plena rua, não importando que esteja um caixote do lixo a 100 metros!!!
É o que se chama de Turismo de merda.
Estou como o Telmo Marques; às vezes penso que devo seguir democraticamente a maioria, não vá dar-se o caso de ser qualquer dia marginalizado:
- Olhem, lá vai o espertinho que põe o lixo no contentor e o fecha de seguida!!!

Francis, dos Churrascos (o original)

RCataluna disse...

Tem um desafio à sua espera n' O Bom Gigante.

Abraço!

Mixikó disse...

Não te zangues...alguém tem de "educar" essa malta...
Uma boa semana per te

Suso Lista disse...

Que pases unha boa semana.