quinta-feira, julho 19, 2007

A Vitória da Derrota

A propósito de um dos seus Generais, em 1861 Lincoln disse “…ninguém como ele, seria capaz de arrancar uma tão grande derrota dos maxilares cerrados da vitória…”, caro Abraham, onde quer que esteja deixe que lhe diga, que ainda existem piores que esse seu General MccLeland. A prova, provada disso, foram as eleições intercalares para o poiso da Câmara de Lisboa.

Sinceramente não percebi, a loucura festivaleira dos pseudo vencedores, as bandeirinhas e os comícios, os aplausos, os abraços e sorrisos de circunstância, não percebi a loucura das hostes, nem o ar de triunfo dos candidatos agora eleitos, não percebi!

Com 62% de abstenção, estas eleições são a maior derrota de sempre para a actual classe política, um claro sinal de que o senhor PM deveria estar a reformar o sistema político a constituição e o Parlamento e não a disparar tiros nos pés como tem feito até agora.

Maior derrota se pensarmos que normalmente o eleitorado de Lisboa é empenhado e cumpridor, porque talvez mais participativo, informado e atento, ainda maior derrota se pensarmos que os partidos fizeram avançar os pesos pesados, empenharam os líderes e as suas figuras mais mediáticas, vastíssima derrota se pensarmos que nenhum dos candidatos chegou sequer a 30% dos votos e que dos que votaram quase oito mil votaram em branco ou anularam o boletim, com estes dados falar de vitória é seguramente tapar o sol com a peneira num dia de estio em pleno Verão.

Os grupelhos partidários com o inefável PP à cabeça, arregimentaram meia dúzia de gatos-pingados para votar neles, por graças divinas não foram eleitos, pouparam Lisboa à presença de figurinhas de todo execráveis, os partidotes esquerdeirotes, arrancaram mais uma grande vitória, o candidato da CDU deve estar inchado de orgulho, naquela que foi mais uma miserável prestação dessa aberração política que dá pelo nome de PCP, será que ainda não perceberam que precisam de mudar o CD e passar para DVD. O Bloco estagnou! É uma coisa sem grande préstimo, vegetam por ali, mandam uns bitaites e pronto.

Os dicotómicos PS’s um deles com D no fim, arrancaram a figurinha mais triste da sessão, milhares de Euros gastos, discursos, beijos às velhinhas e demais imbecilidades próprias dos procuradores de tacho redundaram na mais absoluta e miserável derrota, uma derrota transversal, para os seus candidatos, para os líderes e para as próprias estruturas partidárias.

Surpresa dos Independentes, achei que iriam levar uma trepa, mas aguentaram o balanço, no meio desta atroz e nefasta empresa, são, Barão dixit, os únicos a poder cantar hossanas, cumpriram, mal ou bem fizeram eleger Vereadores, o que não foi de todo em todo mau, confesso a minha maior simpatia a estas causas de independentes, quando aparentemente são sérias, a ver vamos.

Ora bem, meus caros, esta foi sem dúvida uma vergonhosa, mais uma, tirada nesta nossa insonsa democraciazeca de pacotilha, atentos ao seu umbigo, um atrás do outro, os candidatos, alinharam, pela visitinha aos velhinhos, pelo beijinho às peixeiras e pela bandeirinha de plástico “made in China”, uma vergonhosa montra de vaidades e barbaridades, como se percebeu pelo “Prós e Contras” esse expoente máximo do programa de informação à Portuguesa. Gostaria que os ideólogos dos vários partidos. Se é que isso ainda existe, se ainda lá existir alguém que pense, duvido! Gostaria, dizia eu, que esses tais doutrinadores, atentassem nesta realidade e conseguissem perceber, o que correu mal, o que corre mal e que correrá mal, se nada se fizer, esta foi uma bela lição, pena que os discentes estejam demasiado ocupados a cabular para perceberem a récita.

Um abraço deste vosso amigo

Barão da Tróia

9 comentários:

Jade disse...

Olá Barão! De facto, a abstenção atingiu índices vergonhosos nestas eleições para se poder cantar vitória de ânimo leve. Penso que a altura do ano também contribuiu um pouco com muitas pessoas de férias, mas isso não escamoteia o facto de, se calhar, muitos eleitores estarem pura e simplesmente desmotivados e descrentes.
Fica bem!

abril disse...

Amigo Barão...Não estou de acordo contigo,alguma vez tinha de ser.

Os homens ganharam mesmo as eleições.Nem que a abstenção fosse de 98%,faziam uma festa.A malta vinha para a rua conspurcar o ambiente sonoro com as suas viaturas e bandeirinha,não por muito tempo,porque a "gasosa" não está nada barata.

Sempre havia de aparecer um edil ,dos muitos que por aí vegetam,a ir ao Lar da Terceira Idade,lá do burgo e dizer á velhada:-Oh malta tudo para os autocarros,que vamos para Lisboa.
Eles cá estão, chegados com boné e bandeira,com entrevista nos Telejornais,em directo do Hotel Altis,sem saberem ao que vêm,mas com uma unica certeza...O Presidente da Câmara é que paga tudo...Viva a Democracia Participativa...É assim que se diz,não é?


Um abraço e desculpa lá a minha discordancia.

O Provedor disse...

Caro Barão, realmente não se percebe porque raio se gasta tanto dinheiro em campanha política, se a abstenção é crescente, de eleição para eleição. De facto, é de pensar se, não se fazendo campanha alguma, não seriam melhores os resultados. Os eleitores entediam-se até aos cabelos de tanto ver a decrépita visitinha de suas excelências os grandes políticos ao pobre cidadão. O beijinho, o brinde de plástico... tudo decadente e absolutamente inútil.
E, no final, ganha o candidato lacaio do governo, em segundo fica o tipo que lá estava, e que afinal de contas se tinha demitido.
há algo de podre neste reino, anda...
Bem haja,
O Provedor

Chanesco disse...

Meu caro Barão

Excelente post!

Concordo que esta loucura festivaleira é uma fantochada, mas temos de aceitar que a vitória, seja ela por 1 ou por 100, mereça uma celebração.
Também concordo com o PROVEDOR, que o dinheiro da campanha foi gasto em vão: 62% de abstenção é muita coisa.
Só prova, e isto deduzo eu, que 30% são efectivamente abstencionistas militantes; os restantes 32%, é eleitorado da direita que preferiu estar de barriga estendida ao sol, como os lagartos, a ter de se obrigar acumprir um dever cívico. Mas enfim ... estamos em democracia.

Um abraço aqui da Raia

Armando de Torres disse...

Pois é! Barão...
Quando a classe política está desacreditada e deveria empenhar-se para "reformar o sistema político, a Constituição e o Parlamento"...
Quando a expectativa popular continua a não ver os srs deputados a apertar o cinto(por ex, passarem de 230 para 120, aliviarem mordomias) estes mesmos srs deputados acabam de conceder a si próprios, no tempo das vacas magras, um gabinete próprio e um assessor para cada um! Um tal gesto pode ser interpretado como uma provocação...
Infelizmente, as práticas de uma grande parte dos políticos que andam por aí, continuam a matar a democracia.
A crise agrava-se!

SA disse...

muito interessante a tua frase incial. mais uma vez um texto mordaz, crítico e muito bom. Quanto à causa dos independentes será que ali também não há muita hipocrisiazinha. no fundo também querem o poder...

Professorinha disse...

Abstenção indica o nível de descontentamento do povo. Não vão votar porque para eles são todos uns mentirosos que prometem tudo e mais alguma coisa para conseguir o poleiro e depois fazem o que lhes dá na cabeça!!

♥≈Nღdir≈♥ disse...

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.) ` - . .> ' `(
/ . . . .`\ . . \ Ofereço uma rosa
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.. `=(\ /.=` toda perfumada
.... `-;`.-'
......`)( ... , para aromatizar
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........|| \_,/o teu Fim de Semana...
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*´¨) мιℓ вєιנoѕ♥*♥
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missixty disse...

Realmente com uma abstenção tão grande, não era motivo para festas! Enfim!!