segunda-feira, julho 23, 2007

Carta aberta de um Pai ao senhor Primeiro-ministro

Sua excelência senhor Primeiro-ministro, quem lhe fala é um pai, um pai normal que trabalha e paga impostos um pai que se revolta com a absurdidade cada vez maior desta terra.

Vossa excelência desconhece a existência deste pobre habitante de um país infeliz que o tem a vossa excelência como o primeiro dos Ministros, sou um, entre os milhares de pobres diabos, que vivem do trabalhito, que pagam impostos, que descontam por tudo e por nada, que aceitam, mal ou bem as barbaridades que lhes são impostas e que pagam com o seu trabalho os lautos ordenaditos que entre os demais, vossa excelência aufere.

Fiquei exultante, quando o vi anunciar incentivos à natalidade, comecei a acreditar que vossa excelência, teria finalmente idealizado algo que iria beneficiar quem paga toda esta estúrdia, erro crasso, depois de ouvir o seu discurso fiquei a perceber que era mais um fogacho, mais uma medida feita à medida do paiszeco miserável que somos, mais uma inenarrável estultice.

Então propõe vossa excelência mais uns tostões pelo segundo filho, e junta mais uns tostõezitos pelo terceiro, adorei confesso foram de novo os incentivos às famílias numerosas, da Torre da Marinha aos acampamentos de barraqueiros nómadas aquilo é que foi festejar.

Sim, porque senhor ministro, com algumas raras excepções só existem famílias numerosas nas desocupadas das revistas cor-de-rosa, do bairro fino em que o marido é assessor de um qualquer ministro e ganha 5 ou 6 mil euros por mês, ou nos bairros da rataria onde os vários subsídios por cabeça fazem com que facilmente embolsem mil ou 2 mil euros por mês, quanto a todos os outros, nós os que trabalhamos, e descontamos e pagamos impostos, ainda temos de pagar creches, infantários, amas, livros, escolas, pediatras, fraldas medicamentos e tudo o resto, para esses vossa excelência não ofereceu nada, alias, ofereceu sim, com esta sua medida vamos ainda pagar mais para alimentar essa escumalha toda.

Permita-me, vossa excelência, que lhe dê umas dicas, caso algum dia vossa excelência queira realmente fazer algo para incentivar a natalidade, eis algumas coisitas insignificantes que realmente podem contribuir para a tal natalidade.

Vossa excelência pode começar por dotar o país de uma rede de creches e infantários públicos com qualidade e horários flexíveis, que permitam a nós os imbecis que lhe pagam o seu ordenado, poder trabalhar descansado sabendo que os nossos filhos estão em segurança, olhe terá visto esta prática quando visitou a Finlândia, eles por lá tem essa mania da protecção social, os tansos.

Poderá vossa excelência, criar legislação que promova uma licença de parto verdadeira, não esta coisa aberrante que temos por cá, no mínimo um ano de licença integralmente paga, não esta palhaçada de 4 meses ou 5 a 80%, poderá criar ainda mecanismos de fiscalização sérios, que façam cumprir a legislação, já que por cá a flexisegurança já chegou há muitos anos.

Em querendo de verdade incentivar a natalidade, vossa excelência poderá também, mudar a política de manuais escolares, não sei se viu lá na Finlândia os manuais escolares pertencem à escola e só mudam de 5 em 5 anos depois de estarem gastos, os mesmos livros servem de aluno para aluno sendo substituídos e pagos pelos pais se o aluno o danificar por algum motivo, os livros ficam na escola, quando acabam as aulas os alunos vão mais leves, previne-se assim as lordoses e as escolioses a que as nossas crianças estão sujeitas tal é o peso da livraria que têm de carregar às costas, como vê senhor primeiro-ministro o modelo finlandês é giro, pena que no que tem de bom o senhor não pega e traz para cá.

Em estando realmente interessado em promover a natalidade, vossa excelência poderá até cometer a loucura de voltar a abrir escolas, a dar condições para revitalizar o interior a construir um país a sério que realmente funcione, estando realmente interessado em promover a natalidade, vossa excelência promoverá condições para impedir os milhares de compatriotas que saem para a emigração à procura de dignidade para a sua vida, coisa que no país deles não conseguem.

Senhor Primeiro-ministro, com o alarde que vossa excelência propagandeou esse tal incentivo à natalidade, realmente cheguei a pensar que vossa excelência finalmente teria enveredado pelo firme desígnio de realmente governar para quem produz, para quem faz mover as engrenagens desta terra, mas não, mais uma vez, a montanha pariu um rateco, enfezado e raquítico, mais uma vez se beneficia o rebotalho e os inúteis, deixando de fora e castigando quem realmente sustenta toda esta cloaca, em que está transformado este país.

Um abraço deste vosso amigo

Barão da Tróia

16 comentários:

Isabel-F. disse...

é um gozo esses essentivos à natalidade que foram anunciados ...

boa semana

RCataluna disse...

"...mais uma vez, a montanha pariu um rateco, enfezado e raquítico, mais uma vez se beneficia o rebotalho e os inúteis, deixando de fora e castigando quem realmente sustenta toda esta cloaca, em que está transformado este país..."

EXACTAMENTE!

padeiradealjubarrota disse...

É tudo fogo de artificio.Pós lei do aborto.

Francis disse...

"depois de ouvir o seu discurso fiquei a perceber que era mais um fogacho, mais uma medida feita à medida do paiszeco miserável que somos, mais uma inenarrável estultice"

Excelente, excelente, excelente!!!

Quando o vejo anunciar estas merdas só me vem à cabeça que ele nos considera a todos como um bando de atrasados mentais!
Nesta última, apeteceu-me manda-lo ter filhos pelas costas!

José Alberto Mostardinha disse...

Viva Barão:

Sabe uma coisa... sou contra todas as políticas que tenham como objectivo o incentivo a ter filhos.

Decidir ter um filho é um acto pessoal e deverá ser responsável... e não está dependente destas ou daquelas condições.

Estes incentivos, ou outros, são uma mera perda de fundos que poderiam ser aplicados em situações mais válidas.

Não há muitas décadas haviam familias portuguesas, não dessas que o amigo aponta, que tinham 10 e mais filhos.
E no entanto não viviam no limiar da pobreza... viviam nela.

Hoje toda a gente quer "do bem bom" e chegar ao hipermercado e encher os carrinhos com o que precisam... e não precisam.

Até me admiro como também não pedem ajuda para fazer os próprios filhos.

Deixemo-nos de tretas... esta é a realidade.

João Chamiço disse...

Caramba. eu que até sou alentejano, percebi de imediato no momento em que ouvi aquele monte de disparates da boca do Sr. Primeiro quais iam ser os grandes benificiários das anunciadas benesses e que são sem dúvida aqueles aqui referidos pelo barão. Ora, o Sr. Primeiro que até é beirão, licores à parte claro, e anda há já uns tempos lá pela capital do pagode, acho eu que deveria perceber isto antes mesmo da tentação de abrir a boca para me aborrecer. Ou então faz isto de propósito para aborrecer o zé pagantes.

Subscrevo inteiramente todo o conteúdo deste artigo. Acho que vou recomendá-lo ao Sr. Primeiro?
Um abraço

Cucagaio disse...

A ideia é apenas dar a sensação de que se está a ajudar, mas sem ajudar realmente.

Daniela Mann disse...

Essa carta devia seguir mesmo! Era bem feita!
Um abraço

Lumife disse...

VOU DE FÉRIAS! BOAS FÉRIAS!

Mixikó disse...

Realmente...
Excelente artigo.
Bom fds

Andreia do Flautim disse...

Voltei!=)

Rosario Andrade disse...

Bom dia Barao!
Excelente! Na mouche, mesmo!
Bjicos

C Valente disse...

Por certo muito mais haveria a dizer, mas o dinheiro é pouco e não dá para tudo, encarando assim estou de acordo.
Quanto á Filandia, onde fica , o nosso1º mnão asbe, pois quando passa é para as fotos , jantaradas e conversas de encher, só pode, dado que não aprende nada
è facil criar uma criança, dixando-a ao deus dará .aos vizinhos e á esmola alheia, criou-se o rendimento minimo ou lá como se chama, mas devia chamar-se "viver sem fazer esforço" ou outra coisa parecida, pois os parasitas são muitos. na teoria do nosso 1º, está bom para estes parasitas criarem vacas parideiras, modo de estar deitados, nada fazerem e receberem casa, comida, dinheiro para o tabaco. Nóa cidadãos comum pagamos
Saudações

Praia da Claridade disse...

Depois de um domingo tórrido, com a "previsão" de uma terça-feira com grande baixa de temperatura (oito graus no litoral e chuva no norte... será ?... quem percebe este tempo ?...), venho desejar, Amigo "Barão de Troia" uma óptima semana.
Abraço

IsaMar disse...

olha, Barão, tudo o que aqui dizes, se me deixares, eu assino por baixo, porque quando ouvi a notícia, foi exatamente isso que bociferei cá por casa. Tal e qual. como te entendo. este PM e seu governo estão cada vez mais down.
jinhos meus

A. João Soares disse...

Caro Barão,
Como de costuma, um texto maravilhoso. Muito sério e de aproveitar pelo Governo se este tiver a intenção de governar de verdade para o País real.
Brinquei com este tema, no Do Miradouro com o post «a IVG como forma de vida».
Penso que merece uma visita
Abraço