segunda-feira, abril 23, 2007

Stan! Another fine mess you got us into!*

Quem se interessa pelo luso linguarejar, tem andado em bolandas nestes últimos 20 anos, a pontos de muitos de nós já nem sabermos como escrever, por mim vos confesso que, estou nas tintas para acordos ortográficos, para novas gramáticas e novos termos e para toda essa parafernália de cretinices que os últimos 25 ministros da educação vomitaram do alto das suas cátedras, à conta dessas damas e cavalheiros, hoje é seguro afirmar que ninguém se entende, uns porque não sabem e ponto final, outros porque aprenderam mas entretanto as regras mudaram uma, outra e outra vez ainda e não conseguem dar com o fio da meada e a grande maioria porque nem está para aí virado.

Há uns tempos, o actual elenco ministerial que supervisiona a educação lembrou-se, talvez pressionado pela “novelle vague” de linguistas instalados nas cadeiras da decisão, a gramática gerativa e coisas análogas, deixem que, antes de prosseguir, vos conte um episódio, bem a propósito. No segundo ano da faculdade, na cadeira de Sintaxe e Semântica do Português, calhou-me em sorte uma professora, excelente devo confessar, mas porque adepta da linha gerativa da gramática, nos massacrou com a tal da gramática gerativa, quando o que ali se estaria a formar seriam normalíssimos professores de ensino secundário, ou seja estavamos a matar a cabeça com algo que não serviria para nada, porque quando chegássemos às escolas teríamos de ir à gramática clássica para estudar os termos que eram usados para ensinar os putos, num acto de perfeita perda de tempo.

Instado pela professora a responder à sua pergunta sobre o que pensava da cadeira, respondi-lhe como é apanágio da minha pessoa, que achava aquilo tudo uma perda de tempo, uma inutilidade que não serviria para nada. Escusado será dizer que a mulher até corou e que eu andei a chumbar 6 anos seguidos, só passei por insistência e com um 12.

Este episódio ilustra bem a cretinice do nosso sistema de ensino, ora toda esta lengalenga, para nos levar ao assunto de hoje, a famosa TLEBS ou Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário, quando foi anunciado mais este prodígio da esclarecida mente dos doutos e sapientes cérebros da educação, muita gente se levantou para aclarar as mentes e explicar a tremenda estupidez desta inenarrável palhaçada, surdos ao ruído os craques do Ministério da Educação levaram a sua avante.

Acontece que apesar de todos os alertas, a coisa lá seguiu, o lobbie das editoras lá conseguiu enfiar mais uns milhares de manuais pela goela do pagode, embolsando mais uns grossos tostões, os pobres dos putos lá começaram a matar as cabecitas de arvela, com as novas terminologias, daqui resultou o absoluto disparate, com confusões atrás de confusões interpretações dispares e dispersas sobre a tal TLEBS, enfim o habitual destas coisas à Lusitana.

Mas o Ministério tinha um truque na manga, agora que estamos quase no fim do ano, resolveram-se a suspender a TLEBS, ou seja os milhares de Euros e de horas de trabalho e de aprendizagem vão pelo cano abaixo, os manuais vão para ao lixo, isto porque o Ministério finalmente percebeu, que, por existirem, “alguns termos inadequados” e referenciadas dificuldades na sua aplicação. A TLEBS fica suspensa para ser, “objecto de revisão científica e adaptação pedagógica”. Assim vai a educação na nossa terra, inventa-se, inventa-se e cada vez, estamos pior, as crianças não sabem, os pais desesperam, os professores andam à nora e ledos e cantado os governantes lá seguem, encantados com a sua inteligência.

Caros visitantes deste pequeno blogue, aqui no Ribatejo, temos um termo para estes imbróglios, é um termo vernáculo pelo qual peço desculpa, mas chamamos a isto “Trabalhos de Merda”!

*Frase que o Bucha dizia para o Estica sempre que ele próprio fazia disparate e que bem ilustra como anda o nosso país. www.laurel-and-hardy.com

Um abraço deste vosso amigo

Barão da Tróia

17 comentários:

Andreia do Flautim disse...

Podes crer!
lançam os livros com a nova gramática, a seguir dizem para os tirar do mercado...
Enfim!

RCataluna disse...

Não posso estar mais de acordo! Também falo na qualidade de ex-aluno de Sintaxe e Semântica do Português!

Não se aprende nada, não serve para nada! E depois querem acabar com a filosofia...

ABraço!

Anónimo disse...

ahahahahahahahahah, gramática amarga eheheheheheh é a nova DEMOCRACIA , vive-se num País entulhádo de PAPEIS.
E dizem eles que querem combater o MEIO AMBIENTE.
ahhahahahahahahahahahahahahahahah
touaqui42

antónio paiva disse...

..................

essa designação parece-me muito bem!

..................

Noite serena

Isabel-F. disse...

“Trabalhos de Merda”!

Claro que é isso mesmo.


Bjs

Francis disse...

Ou seja, um dia normal cá no burgo!

agua_quente disse...

Pois, acho que aí no Ribatejo têm exactamente a expressão adequada para o assunto! Este país consegue superar-se nessa matéria.
Beijos

Aragana disse...

Sabes que mais? Andam é a gozar conosco!

Utzi disse...

hehehe :) Este final foi excelente... faço minhas as tuas sensatas palavras, uma vez mais, e com grande pena por estas serem tão justas e fiéis à triste realidade que nos engole neste país. Beijos

Manel do Montado disse...

Meu caro Barão,

O problema não são os trabalhos de merda, mas sim os artífices de merda que se tornam ministros de merda atolando-nos na merda que fazem para darem dinheiro a ganhar às editoras de que algumas esposas, irmãos, compadres e outros montes de merda que lhe são próximos são donos ou associados.
Um abraço

Casemiro dos Plásticos disse...

ahahahah
trabalhos de merda!
e a ota vai ser um deles e o resto é conversa...

chanesco disse...

Caro Barão

Esse termo vernáculo é de facto o mais adequado qualificar a situação.
Na minha terra até se complementa com um não menos mimoso termo(e perdoem-me, mas é mesmo assim):
Trabalho de merda... ... feito por quém não limpa o cú a um caco!

Um abraço aqui da raia

A. João Soares disse...

Há termos com grande poder de expressão. É isso.
Quanto à TLEBS, embora não me considere conhecedor profundo da gramática, achei que não dava certo. Enchi-me de gozo a escrever várias cartas aos jornais que foram publicadas e de colocar posts em blogues. Isso fez-me receber mensagens muito agressivas de professores seguidistas das inovações e candidatos ao «óscar» do menino bem comportadinho.
Lamentavelmente, os ministros são ignorantes e caiem cega e facilmente em armadilhas de assessores e lóbis, só recuando quando há manifestações populares. Passa-se na Educação, na Saúde e noutros pelouros(poleiros).
Conclui-se que devemos reclamar pelas formas mais audíveis e visíveis que encontrarmos.
Abraços

José Alberto Mostardinha disse...

Viva Barão:

Viva o 25 de Abril... e não se esqueçam de ensinar aos mais novos de qual a importância dele para a vida colectiva dos portugueses.

Forte abraço,

Diogo disse...

Guerra ao Terrorismo - um êxito que ainda não aconteceu

Jon Stewart, do Daily Show, traz-nos novidades na guerra global dos EUA contra o terrorismo. Num curto clip, Frances Townsend, responsável pela segurança interna nos EUA, aborda na CNN o sucesso da política americana.

Stewart: Recentemente, os EUA atacaram células da Al-Qaeda na Somália. Caramba, voltámos à Somália, um país tão pobre que até faz angariações de fundos na Etiópia.

CNN: Em Setembro de 2001 o presidente disse “Mortos ou vivos, havemos de os apanhar”. Mas isso não aconteceu. Sei que houve alguns êxitos na guerra ao terrorismo, mas isto foi um falhanço.

Frances Townsend: Talvez seja um êxito que ainda não aconteceu.

Vídeo – 2:20m

IsaMar disse...

meu caro amigo barão: eles estão no poleiro e por isso tem de mostrar trabalho, diga-se aontes, tem que inventar umas coisas a ver se pega ou despega. O povo que aguente.
É assim que estamos neste país da treta.
Tantas vezes nos livros dos meus filhos há exercícios, tanto de matemática (e nestes em especial), como dos de português que não são resolúveis ou que não se entente o que pretendem.
jinhos

Daniela Mann disse...

Amigo Barão, vá ao amar-ela buscar o Thinking Blogger Award!
Beijinhos