quinta-feira, abril 26, 2007

Era Abril!

Passou mais um Abril, nós por cá como dantes, triste de ver quão curta é a memória humana, trinta e poucos anos depois e as gerações mais novas, pouco sabem sobre o acto maior de século XX da pátria Lusa, certo é que a humana memória deixa a desejar, um conjurado que regressasse agora, morreria de desgosto, não só porque ninguém dá valor às agruras que passou, mas também porque os espanhóis estão cá de novo.

Mais triste é ver a bandalheira em que esta terra está de novo mergulhada, triste também o palavreado dos bandalhos politiqueiros. Na Assembleia, sua Excelência o Senhor Presidente da República, fez um discurso à sua semelha, pobre de espírito, cinzento e miserável, da situação à oposição o que ali foi dito não melhorou a qualidade.

Os discursos limitaram-se às opções papagueadas e estafadas dos contendores, as quais já ouvidas até à exaustão, soam a lixo sonoro. O dia pedia qualidade, consenso, irmandade, objectividade. Mas não, entre o discurso “Lapaliciano” do PR, aos discursos, ocos e chocarreiros dos partidos da oposição à oração do Amem que foi o discurso do governo, foi tudo tão mau, tão pobre tão inconcebivelmente feio e de mau gosto, que facilmente se percebe, porque é que as gerações mais novas, se estão nas tintas para as datas históricas.

Por mim vos confesso que este gajedo me mete NOJO, cada vez que vejo alguém na assembleia da república a arengar, a primeira coisa que me apetece fazer é vomitar, metem-me nojo, com as suas mentiras e meias verdades, com as demagogias baratas, com, as piadolas estúpidas e alarves, estes gajos enojam.

Enojam-me as suas opções estúpidas, e as lágrimas de crocodilo que deitam aquando das tragédias, que eles próprios, propiciam, devido à sua incúria. Metem-me nojo as suas acções motivadas por opções tolas e sujas, usar cravo não usar cravo, eu digo, ainda bem que muitos não querem usar o cravo, símbolo de uma revolução do povo, o cravo é de todos, da direita à esquerda, o cravo é um símbolo, da unidade que brevemente irmanou todos, naquele dia já tão distante, ainda bem que gentalha sem qualidade se recusa a usar o cravo, não conspurcando assim a memória de um momento único de beleza e pureza.

No dia que comemora a nova liberdade, cada vez mais percebemos que ilusão e liberdade são a mesma palavra, ainda que uma esconda a outra e nada dela se diga, mas porque intimas, quase amantes em vida, ilusão da liberdade e liberdade para viver a ilusão. Escondida na alma de cada um reside a ilusão da liberdade que negamos ao outro numa roda-viva da qual ninguém, sai exangue, mesmo nos becos esconsos das frias noitadas a ratazana só é livre, enquanto o atento felino não lhe crava as garras ferozes no lombo e lhe suga o miolo da cavidade agora oca do crânio.

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

19 comentários:

Manel do Montado disse...

Caro Barão,

Não concordando com tudo o que escreves, deixo-te, no entanto uma pergunta para a qual tenho uma resposta não muito ortodoxa, mas é a minha:
- Como queres que o 25 de Abril e a liberdade estejam intactas se aqueles que a proporcionaram foram esquecidos, vilipendiados e até antagonizados pela sociedade civil?
Escreves que o cravo é o “símbolo de uma revolução do povo”. Qual povo? O que estava metido em casa cagadinho de todo?
A revolução foi feita por militares que arriscaram tudo, até o sustento das suas famílias se a revolução falhasse, qual povo, qual carapuça. A tropa é que os teve no sítio e se meteu em marcha. Até os operacionais clandestinos do PCP e LUAR só apareceram após ser noticiado o refúgio de Mrcelo Caetano no Carmo.
Levantamentos populares existiram no Maio de 68, na Roménia de Ceaucescu, na primavera de Praga, em Budapeste. Aí sim houve revolução popular.
Não nos enganemos, o povo para quem os militares deram a liberdade, foi o primeiro a “borrar” neles, a criticá-los, por isso hoje têm a democracia que merecem.
Um abraço

Isabel-F. disse...

"...
Mais triste é ver a bandalheira em que esta terra está de novo mergulhada, triste também o palavreado dos bandalhos politiqueiros..."

Sem dúvida ... sem dúvida ...
este teu texto encerra toda a verdade do nosso estado actual...


Bjs

125_azul disse...

Parece que até o nosso Cavaco quer rever as comemorações de Abril... Deixo um beijinho apressado, estou num computador que não é meu. No meu não consigo entrar no teu e mais uns quantos blogs "Acesso de perfil negado", seja lá isso o que for...)e já tinha saudades.

SA disse...

bem essa última frase da ratazana é poderosa. lolol.
o certo é que em como tudo na vida... a passagem do tempo faz com que acontecimentos importantes sejam cada vez menos alvo de atenção, mas era bom que a memória nao se apagasse.

Diogo disse...

Victor Gold foi um dos autores dos discursos dos presidentes Gerald Ford e Georges H. Bush.

Segundo Victor Gold, a administração Bush «encenou uma operação encoberta (false flag operation – ataque falsamente imputado ao inimigo)»: os atentados do World Trade Center e do Pentágono seriam um golpe dirigido a partir de dentro com o objectivo de justificar as guerras já preparadas há longa data contra o Afeganistão e o Iraque.

Jade disse...

Demasiado pessimista como sempre, Barão ou, quiçá, realista?
A liberdade é um conceito de difícil definição, conquista-se e preserva-se. Não sei se actualmente se respeita aquilo que outros conquistaram por nós. Enfim... Não me apetece filosofar sobre o assunto, estou demasiado extenuada.
Bom resto de semana!

padeiradealjubarrota disse...

Liberdade? Onde estás? não te vejo!

Eric Blair disse...

Vale a pena ler crónica do Piotr.
... e a tua também.
ABraço.

Nunovsky disse...

Por este andar, qualquer dia, deixa de ser feriado...

25 de Abril foi das datas mais felizes da minha vida, embora ainda não fosse nascido! Mas adorava ter vivido naquele dia.

Professorinha disse...

De certeza que os que lutaram pela tal liberdade, devem sentir-se muito bem agora com o país que têm... lá no poleiro onde estão montados! Posso ser dura, mas é o que penso.

Daniela Mann disse...

Eu também vi a choraminguice! LOLOL
É demais!
Beijinhos

Francis disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Francis disse...

Não concordo com o Manel do Montado quando se refere ao povo "metido em casa". Houveram várias manifestações ao longo dos anos sempre reprimidas das mesma forma. Nem se pode menosprezar o trabalho clandestino do PCP, quer se sinta menosprezo ou não pelos Comunistas, a verdade - e essa não pode ser apagada da história - foi deles a despesa da resistência ao fascismo. Onde estava Cavaco Silva na altura? Curioso, era um empregado estatal.
Concordo, no entanto, quando diz que os portugueses têm a Democracia que merecem. Nme mais!!! Também vou buscar o exemplo da Roménia para te lembrar do que fizeram ao Ceausescu, à sua Maria e aos sus lacaios.
A Revolução foi mal feita, não por causa daquela ideia cliché idiota de que deixou Portugal nos caos, mas por se pouparam demasiadas balas na mesma. Como foi possível deixar os criminosos partirem em paz para o Brasil, Espanha e P.Q.O.P. sem responderem pelos seus crimes. Como é possível um F.D.P. como o Rosa Casaco ter morrido em paz mesmo aqui ao lado e nunca ter respondido por mandar assassinar o General Humberto Delgado?
Que se passou na ideia dos portugueses no pós 25 de Abril?
"Epá, coitados dos fascistas. Deixem-nos lá ir-se embora em paz!"
Fico enjoado cada vez que falo nisto. E pior ainda quando vejo um bando de imbecis venerarem a figura dum bandalho criminoso como o Salazar que, sinceramente, espero que tenha sofrido muito nos últimos dias de vida e que arda no Inferno.
É o que te digo, se tivessemos feito uma revolução à Romena, e nisto o Manel do Montado tem razão, hoje haveria muito mais respeito pelo povo.
Conclusão: É mesmo essa. Termos exactamente aquilo que merecemos!

P.S. O comentário anterior foi apagado porque, vá-se lá saber porquê, a parte inicial do mesmo surgia no fim ???

Um abraço!

Capitão-Mor disse...

Infelizmente vejo-me obrigado a concordar com o teu texto. Vejo que o país não consegue sair da grave crise em que mergulhou e nem existe UE que nos valha. Acho que nos faltou repensar Portugal, estabelecer metas e objectivos concretos para o nosso país...
Bom fim de semana!

≈♥ Nadir ♥≈ disse...

….(`“•.¸(`“•.¸ ¸.•“´) ¸.•“´)
….(¸.•“´(¸.•“´ `“•.¸)`“ •.¸)
......d88888bd888b.
.....d8888888888888B.
.....888888P`Y8888P.
.....Y888888.....( , \_.
....,_Y88(.................)....*Passo para te ler...
....Y888888b.......__\..
.....“8“888P........(_.... para saber como estás...
.............|.....----“..
...........~;~~\~..... * Para te deixar um beijo
............=......\....
..........(_._).....\.....
...........|=|........\...
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...,.-“---/_/--------“---.....
...`-.,_________,.--“..
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..........|___|.|...
..........|___|.|............ e desejo bom fim de semana!!!!
(`“•.¸(`“•.¸ ¸.•“´) ¸.•“´)
«`“•.¸.♥ Nadir ♥ ¸.•“´»
(¸.•“´(¸.•“´ `“•.¸)`“ •.¸)

A. João Soares disse...

Caro Barão,
Liberdade é uma ilusão!!! Quase tudo na vida o é. A felicidade também é um sentimento muito relativo, que pouca relação tem com os teres e haveres. A força do psíquico é um factor importante.
Repensar Portugal é necessário. E não pode adiar-se. Mas são precisos políticos capazes, competentes, sérios, dedicados ao País, para fazerem um diagnóstico correcto e para terem a coragem de aplicar a terapia adequada.
Mas onde estão homens com o saber e a coragem para isso???
Sugiro uma visita ao Do Mirante onde estão vários posts que permitem ter uma ideia bastante completa de tudo isto. Está lá um debate entre direita e esquerda com interesse.
Um abraço

A. João Soares disse...

Caro Barão,
Liberdade é uma ilusão!!! Quase tudo na vida o é. A felicidade também é um sentimento muito relativo, que pouca relação tem com os teres e haveres. A força do psíquico é um factor importante.
Repensar Portugal é necessário. E não pode adiar-se. Mas são precisos políticos capazes, competentes, sérios, dedicados ao País, para fazerem um diagnóstico correcto e para terem a coragem de aplicar a terapia adequada.
Mas onde estão homens com o saber e a coragem para isso???
Sugiro uma visita ao Do Mirante onde estão vários posts que permitem ter uma ideia bastante completa de tudo isto. Está lá um debate entre direita e esquerda com interesse.
Um abraço

A. João Soares disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lumife disse...

Acabo de ler dois dos melhores textos sobre o 25: o teu e o do Manel.
São retratos deste País, apresentados com uma certa dureza que já não ferem as sensibilidades tais os contínuos desmandos feitos na praça pública. E o hábito conduz à indiferença... e esta à submissão.
O próximo 25 será mais duro mas mais real...

Abraços