sexta-feira, abril 13, 2007

Ensino Especial o Tanas!

Com o advento do politicamente correcto, surgiu a tal da “Inclusão” um palavrão estulto, que pretende que as crianças portadoras de deficiências, quaisquer que sejam, estejam integradas em turmas com crianças sem problemas. Estas deficiências abrangem um leque vastíssimo de casos, as limitações podem advir de problemas visuais, auditivos, mentais ou motores, bem como de condições ambientais desfavoráveis, indo desde a dislexia à disgrafia, da paralisia ao Síndrome de Down, ou então a crianças de meios desfavorecidos.

Claro que isto é tudo uma grande treta, porque o ensino especial não funciona, durante algum tempo foi um grande tacho para os professores que enveredavam por essa via, hoje com as alterações do actual governo já não é tão bom, mas em termos de qualidade piorou, conheço casos em que crianças com necessidades educativas especiais têm de fazer 100 quilómetros para que, uma vez por semana, em uma ou duas horas, receberem o apoio que deveriam receber diariamente durante todo o tempo que estivessem na escola.

O aspecto burocrático é surreal, entre relatórios e fichas, reuniões, comissões e demais papeladas insalubres os professores gastam tempo precioso que deveria ser gasto a apoiar as crianças, resultando daí que o ensino especial seja uma grande trampa, não quero com isto dizer que não existam lugares onde as coisas até funcionam bem, mas tais locais devem resumir-se a Lisboa e pouco mais, será que quem manda neste país já se deu conta que para além do seu gabinete e das ruas que o circundam existe mais país, creio bem que não.

Na prática e apesar dos projectos e mais projectos das actividades e das resmas de papelada, com que se gasta uma fortuna, dinheiro que faz falta para adquirir e por em marcha coisas realmente importantes, o Ensino Especial em Portugal é uma mentira, a Inclusão é uma falácia do politicamente correcto que nos enfiam pelo gorgomilo à força, que muito pouco de útil trará às crianças em primeiro e ao país em segundo.

Nos actuais moldes o ensino especial é uma mentira, é mais uma “pra inglês ver”, serve para muito pouco, propicia uns esquemazitos milionários a algumas IPSS, mas quando falamos de qualidade efectiva e de apoio real e decente a quem dele precisa, a coisa deixa muito a desejar, claro que como dá poucos votos, este problema é mais daqueles que não interessa e é relegado para segundo ou terceiro plano, logo a seguir à aquisição de verniz rosa choque para a secretária boazona do sub-sub-sub secretário de estado.

Mais uma vez é triste é mesmo muito triste!

Um abraço, deste vosso amigo

Barão da Tróia

17 comentários:

Jade disse...

Olá Barão! Acho que a ideia da inclusão é bastante positiva mas não nos moldes em que o nosso ensino está estruturado com uma média de 30 alunos por turma. Se um professor já não tem tempo para 30 alunos "aparentemente normais" como é que vai ter tempo para atender ao ritmo próprio de um aluno com necessidades específicas?
Relativamente ao apoio que é dado a esses alunos por professores específicos, porventura em alguns casos deixa muito a desejar. Estive numa escola onde o professor dos apoios era tão agressivo que os alunos pura e simplesmente não o procuravam. Acho bem que se formem adequadamente professores nestas áreas para poderem apoiar da melhor forma possível alunos com necessidades educativas especiais.
Bom fim-de-semana!

Eduardo Milheiro disse...

Tens toda a razão Barão, mas as culpas são transversais, ninguem pode ficar de fora em responsabilidades com o que se passa com o ensino especial e com os deficientes.
É estas coisas que nos nossos cidadãos lhes passa um grande bocado ao lado, ou talvez não, há dias de sorte, mas tambem há dias de azar, pensem nisto e bom fim de semana.

RosaLatina disse...

Totalmente de acordo. O Estado nunca criou as devidas estruturas e condições para a inclusão. Isto não passa de mais uma manobra, para tapar os o sol com a peneira. Ora se o Estado tem um ensino oficial que é uma verdadeira vergonha, ainda fala em inclusão? é a tristeza deste país.

RosaLatina

Capitão-Mor disse...

E aqui surgem mais fenómenos de exclusão!
Bom fim de semana

Professorinha disse...

O que é preciso é atingir as estatisticas!!! É só o que interessa!!

Fica bem!

heresias consentidas disse...

olá
excelente post, bem na linha daquilo a que o autor nos tem habituado!...

a verdade é que fazemos greves apenas quando nos doi o rabo - falo do cidadão em geral - ou nos roubam os tostões do bolso... esquecemo-nos de coisas importantes como a questão de hoje, porque, como sempre, quando o fogo é na casa do vizinho... (se é que me entendem!...)

Anónimo disse...

Estamos numa de eclipse do OLHO do TRASEIRO.
O falar fala-se mas actuar está quieto.
Desculpem lá mas que papel higiénico utiliza os POLITICOS no seu LIMPAR o TRASEIRO.
touaqui42

José Alberto Mostardinha disse...

Viva Barão:

Não sei qual é a idade do Barão, para o caso também não interessa mas tenho que lhe dizer, e isto é válido para este ou para outro governo, que já muita coisa foi feita.
É preciso fazer muito mais? Sem dúvida.

É preciso recordar que antes do 25 de Abril a reforma era "um cajado e um saco".
Exacto, no tempo do tal gaijo que ganhou aquele programazeco na televisão como bom português.

Sobre o seu post também acho que muito mais tem que ser feito.
Temos que ajudar... TODOS a melhorar o que estiver mal.

Na saúde, bom na saúde nesse tempo morria-se do "malzinho", agora já conseguimos estar ao nivel da média europeia.
Aliás a saúde é o melhor indicador, em termmos de desenvolvimento, que o país tem.


Isto são factos.
Vamos melhorar.

Bom fim de semana.
Um abraço,

tron disse...

Ensino especial é ter-se um professor duma universidade que nem reitor é nos passar um diploma de engenehrio para fazer turmas 40 alunos entre demais merda

Zig disse...

Caro amigo Barão, há tanto tempo que não te presto uma visita, as minhas desculpas!

Acerca deste tema, tens toda a razão. Não sei o quê é que foi pior, o sistema anterior ou o actual. Tenho a minha filha no 9º ano, e ela me contou que apareceu na sala dela um aluno deficiente no início do ano escolar. Aguentou dois dias....

Bom (resto do) fim-de-semana

padeiradealjubarrota disse...

Estou de acordo com o Jade. Já dei aulas e é muito difícil equilibrar as coisas. Neste casos tem de haver personalização reforçada.

tron disse...

http://ajudaragora.blogspot.com/

http://jn.sapo.pt/2007/04/15/porto/puto_coragem_lutaao_cancro_internet.html


pedido de medula urgente espalha o mais que puderes. obrigado

Francis disse...

Uma vez durante uns Execícios Orion, o meu capitão deu-me uma Carta Topográfica, apontou e disse:
"Os nossos carros de combate estão já ali embaixo".
Eu olhei lá para baixo e respondi-lhe confuso:
"Capitão, não vejo ali carros nenhuns"
A resposta:
"Ò homem, eles existem apenas no papel!!!"
É o que se passa com este país. É certo que a Inclusão só existe no papel mas, caramba, é uma ilusão tão bonita!!!

Casemiro dos Plásticos disse...

Ensino especial é uma treta por causa de quem dirigi.. é o ensino que temos no país em que estamos, infelizmente...

Dalila disse...

sempre em cima da actualidade=)

RCataluna disse...

Subscrevo!!

Alien David Sousa disse...

Caro Barão, li o teu texto com muita atenção e concordo contigo. O ensino especial não funciona e vou mais longe. Acho que nem em Lisboa funciona. Acredito que funcione em certos centros privados, aonde os pais pagam muito bem para que os seus filhos tenham o direito a uma educação decente, aí funciona. Mas aqueles pais que infelizmente não tem posses mesmo em Lisboa - não encontram muitas soluções. E para finalizar acho que disseste tudo na parte final do teu texto:

"desejar, claro que como dá poucos votos, este problema é mais daqueles que não interessa e é relegado para segundo ou terceiro plano"

É isso mesmo. E podemos aplicar este teu raciocínio por exemplo aos deficientes motores que andam numa luta há anos por umas malditas rampas que se fores a ver ainda não existem em milharesssssssssssssssss de pontos do país. E íamos por aí a fora.

Excelente texto.
Saudações alienígenas