quinta-feira, outubro 12, 2006

Provincianos!Quem, nós?

Durante o fim-de-semana tive uma crise de insónia, que normalmente curo com uma ida à minha tasca de eleição, degustando uns petiscos e regando tudo a branco ou tinto conforme esteja a maré, até um ocasional palheto ou uma supimpa água-pé.
Na roda de amigos, enquanto a chouriça rechinchava, esqueimaçada por uma excelente aguardente vínica de 70º, discutia-se o provincianismo, o que é ser provinciano ou não e por aí adiante, temas de provincianos. O meu amigo Zé, no uso da palavra, batia no maltedo da capital, por serem uns nabiças avoados, por andarem de carro para todo o lado, de encherem os passeios de carros de não usarem as toneladas de transportes públicos que têm e depois se queixarem do preço da gasolina.
Aparentemente isto não tinha nada que ver com provincianismo, mas tem. Tem porque ser provinciano não é falar com sotaque regional, ser provinciano não desconhecer que metro apanhar para o Cais do Sodré ou qual é o número do autocarro para o Rossio, isso é simples desconhecimento.
Ser provinciano é viver numa terreola, como Almeirim e andar de carro para todo o lado, quando a terreola se atravessa bem de ponta a ponta em 20 minutos, ser provinciano é construir prédios de 4 andares quando há espaço de sobra para fazer moradias, ser provinciano é querer ser uma coisa que não somos e malbaratar a excelente terra que aqui existiu, uma ilustre Almeirinense, que aqui exerceu a sua profissão médica, pessoa sobejamente conhecida por cá, disse um dia, … Almeirim como Vila era uma Vila bonita, como cidade é uma merda…
Não posso estar mais de acordo. Ser provinciano é adoptar modas imbecis como esta de entupir de carros uma terreola, que até chateia de tão plana que é, sendo que os únicos obstáculos que quem circula a pé encontra são as bestas dos automobilistas e motociclistas locais, que pouco ou nada respeitam a sinalização, e os carros nos passeios que as mesmas bestas estacionam em local proibido, para irem tomar café, para estar a falar com a vizinha, entre outras coisas de extrema urgência.
Este modelo de progresso que entrou no imaginário do povaréu ignaro, não cessa de me espantar, como não cessa de me espantar a capacidade, que os Portugueses têm de só copiar os maus hábitos e as imbecilidades, raras são as vezes em que vi serem adoptados bons hábitos de civilidade e de verdadeiro progresso, que ao contrário do que pensam estas alimárias asininas se mede pela qualidade de vida e não pelo betão. De que lhes valerá deixar, por vergonha, de dizer o “mê pai” e a “nha mãe” bem como outras expressões bem típicas da minha terra, para passar a falar à lisboeta, coisa que não tenho nada contra em Lisboa ou em alfacinhas, excepto nas séries portuguesas de época, onde falam todos à lisboeta é só rir, trabalho de actor, de composição de personagem zero, nadinha de nada.
Dizia eu que, de muito lhes vale abandonar as suas raízes e cultura, para adoptar a mentalidade do subúrbio, isto sim é ser provinciano, mas isto meus amigos os meus conterrâneos não percebem nem que lhes entre pelo olho do cu adentro, mas como dizia o outro …felizes dos ignorantes porque deles é o reino dos céus…

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

31 comentários:

eu mesma! disse...

Terem uma vila/cidade com qualidade de vida e estarem a estragá-la com pseudo imitações de comportamentos citadinos, não lhe chamo provicianismo mas sim estupidez! mas é a vida...

gato_escaldado disse...

enfim, uma "corja"...

excelente texto. abraços

Mixikó disse...

lindo....indo..lindo...
"os carros nos passeios que as mesmas bestas estacionam em local proibido, para irem tomar café, para estar a falar com a vizinha, entre outras coisas de extrema urgência"

"Dizia eu que, de muito lhes vale abandonar as suas raízes e cultura, para adoptar a mentalidade do subúrbio, isto sim é ser provinciano, mas isto meus amigos os meus conterrâneos não percebem nem que lhes entre pelo olho do cu adentro, mas como dizia o outro …"

Mas, sabes às x não é por mal ou o raio...eu mesma, sou do Algarve e não falo à Algarvia...tenho expressões ainda, como "ma que jeito" entre outras...mas, quando vou /estou lá em baixo de fds, falo a cantari...deixo-me levar...e quando cá chego continuo...mas aos poucos o cantar desaparece...não faço de propósito...acontece-me naturalmente...beijos

A.Mello-Alter disse...

Completamente de acordo.
Obrigado pela visita.

125_azul disse...

E o reino dos céus vai-se enchendo. Só à custa dos nossos conterrâneos não tarda estará sobrelotado!
Agora eu aqui cheia de fome e tu a falares de chouriças e tal, oh maldade!!! beijinhos

herculanodacosta disse...

a malta diz o que pensa
e vão cinco da matina
São cinco da matina. Levantei-me pra fumar um cigarrito - sim eu fumo! - e deitei uma vista de olhos a este blog (Barão da Tróia II). Não tanto ao blog em si mas mais aos comentários suscitados pelo escrito "Triste e Indignado" que vale a pena ler e vivamente aconselho. Agora já não tenho pachorra mas amanhã penso falar sobre este assunto. É que 25 comentários deste calibre merecem bem duas ou três linhas. Pelo menos para dizer que o Governo só não percebe o "sentir" do povo que o elegeu se de facto sofrer de autismo.
Durmam bem. Eu, tem dias, não consigo. Não, depois de ver coisas destas.

in "heresias consentidas"

herculanodacosta disse...

a malta diz o que pensa
e vão cinco da matina
São cinco da matina. Levantei-me pra fumar um cigarrito - sim eu fumo! - e deitei uma vista de olhos a este blog (Barão da Tróia II). Não tanto ao blog em si mas mais aos comentários suscitados pelo escrito "Triste e Indignado" que vale a pena ler e vivamente aconselho. Agora já não tenho pachorra mas amanhã penso falar sobre este assunto. É que 25 comentários deste calibre merecem bem duas ou três linhas. Pelo menos para dizer que o Governo só não percebe o "sentir" do povo que o elegeu se de facto sofrer de autismo.
Durmam bem. Eu, tem dias, não consigo. Não, depois de ver coisas destas.

in "heresias consentidas"

sandes-de-coirato disse...

Tem absoluta razão.
Eu sou um “provinciano” convicto. Não dos que se envergonham e nos causam vergonha mas daqueles orgulhosamente Almeirinenses. Daqueles da “nha terra”, do petisco e da matança do porco. Daqueles que gostam de sair de casa de manhã e entrar pela cidade adentro pelo meu próprio pé.
Almeirim é uma cidade pequena mas ainda assim é muito maior que certas cabeças que andam por aí. Isso é que é pena. Belo texto.

Andreia do Flautim disse...

Nunca fui a Almeirim... Mas conheço a Joaninha, que é flautista como eu:)

Se calhar querem crescer à pressa...

Eu cá não gosto de viver num sitio escondido no meio do nada, mas muita confusão também é demais. Cá na minha terra estamos bem:)

francis disse...

Excelente, excelente, excelente!
Se servir de conforto, garanto-te que não é só em Almeirim que vais encontrar esse provicianismo desenfreado.
Há tanto peixe neste mar!...
Um abraço!

Alentejano disse...

Aqui no Alentejo a isso chama-se paneleirices.


Um abraço.

Suso Lista disse...

Estou de acordo co que nos contas. En Galiza tamén pasa algo do que dis. Pero os da capital, polo noso acento, tratan-nos de analfabetos. Mesmo eu que son actor, non podo falar en Madrid co acento Galego, se é que quero traballar. Ou falalo, e traballar de criado, ou camareiro nunha serie da T.V. Bicos

_estrelinha_ disse...

ola, passei para agradecer o teu comentario mas nao deixarei de ca passar, pois axo-te uma pexoa com capacidade para escrever muito bem e gosto de ler o que escreves, pois é simples, esclarecedor e muito bem escrito. continua pois eu voltarei. fica bem

Anónimo disse...

É verdade sim senhora é uma paneleirice crer viver-se numa cidade que depois de se pensar na reforma foge-se para o interior.
Nem queiram saber o sacrificio que é viver numa cidade cheia de carros, de fumo, de gente que se só andam bem aos encontrões uns aos outros.touaqui

tron disse...

sim somos provicianos em relação a espanha

Isabel Magalhães disse...

Caro Barão,

SUBSCREVO!

assina uma alfacinha emigrada no campo ao pé da praia não longe da cidade grande e que só não anda sempre de bicicleta porque na ida é a descer mas na volta é a subir... muito!

Deixo tb um abraço.

Sofocleto disse...

«uma ida à minha tasca de eleição, degustando uns petiscos e regando tudo a branco ou tinto»

Obrigaste-me a ir contrariadamente à cozinha!

Jade disse...

Olá Barão! Não conheço Almeirim, mas não será certamente a única "cidade" a sofrer desse mal. Parece que a elevação a cidade não depende de infra-estruturas e outras coisas que tais, mas sim de conveniências políticas.
Fica bem!

nene disse...

Amigo Barão este comentário é teu e ficou no meu blog por engano!
Um beijinho:)

herculanodacosta disse...
a malta diz o que pensa
e vão cinco da matina
São cinco da matina. Levantei-me pra fumar um cigarrito - sim eu fumo! - e deitei uma vista de olhos a este blog (Barão da Tróia II). Não tanto ao blog em si mas mais aos comentários suscitados pelo escrito "Triste e Indignado" que vale a pena ler e vivamente aconselho. Agora já não tenho pachorra mas amanhã penso falar sobre este assunto. É que 25 comentários deste calibre merecem bem duas ou três linhas. Pelo menos para dizer que o Governo só não percebe o "sentir" do povo que o elegeu se de facto sofrer de autismo.
Durmam bem. Eu, tem dias, não consigo. Não, depois de ver coisas destas.

4:03 PM

Maresi@ disse...

Ola barão...gostei do seu post... aborda tema diferente e deveras interessante...Concordo plenamente com seu texto...

Grata pela visita ao meu recanto deixo

Beijo suave___Maresi @

padeiradealjubarrota disse...

Plenamente de acordo.Mas foi em Almeirim, que eu desconhecia, que no fim de semana passado comi fantástica sopa da pedra e me «vacinei», in loco(!), esotadas que estão as vacinas por encomenda na capital.Vou passar a ir a essa farmácia Central!

padeiradealjubarrota disse...

Errata: escrevi as letras todas mas sumiram ao ser publicadas! «esgotadas»

Casemiro dos Plásticos disse...

belo post ó barão!
abvraço

Pitucha disse...

É vir até ao estrangeiro e ser servil e trabalhador e claro que se faz, sábados e domingos incluidos e chegar aí a arrotar postas de bacalhau, a falar aos gritos para que se repare no carro último modelo e a usar muitos palavrões para que se note que está mesmo à vontade.
É isso, tens razão.
Beijos

Isabel-F. disse...

"........
de muito lhes vale abandonar as suas raízes e cultura, para adoptar a mentalidade do subúrbio, isto sim é ser provinciano, "

Parabéns pelo texto. Soberbo.

Bom fim de semana
Bjs

chuvamiuda disse...

Bom fim-de-semana Barão

de Matos disse...

Olhe sabe que mais, nao trocava a minha linda e sossegada terrinha por nada...
E que se lixe quando dizem que tenho sotaque ou que em Lisboa é melhor...

abraço e bom fim de semana

Anónimo disse...

Bem, eu vivo numa aldeola e até fico irritada qd decidem transformar alguns dos caminhos de pedras em estradas alcatroadas.
A rua onde vivo está agora a ser alargada e vão poder cruzar-se dois carros. Uma chatice: vão circular mt mais rápido e com menos cuidados.
Enfimmmmmmmmm, por mim acho que não passávamos da idade da pedra.

Um beijo e bom fim de semana.

tron disse...

Mais merda aconteceu na provincia da espanha

Zig disse...

Provincianos? Que mal é que tem? Sempre quando vou por razões profissionais para Lisboa digo com orgulho que sou de Beja e nunca era capaz de viver em Lisboa. Além disso, só me sinto feliz vendo a capital no meu espelho rectovisor....

xicoxperto disse...

Nem os teus conterrâneos nem os meus, porque essa moda anda por todo o país. Moro a cinco minutos da fronteira de Lisboa com Odivelas, onde há autocarros de cinco em cinco minutos para o metro. Mesmo assim tenho que gramar os engarrafamentos que desde as seis da madrugada se formam à minha porta, com provincianos sozinhos dentro de um carro de cinco lugares.
Como o meu prédio tem um café e a rua não tem saída, tenho de aturar a toda a hora os tipos que se deslocam 300 metros de carro para beberem uma bica e que se dão ao trabalho de andarem 70 metros em marcha atrás para estacionarem ao molho à porta do dito café.
Acho que se a teoria da evolução estiver correcta e estes saloios não acabarem com o planeta com tanta poluição, dentro de uns milhões de anos o ser humano vai evoluir para um ser com rodinhas e volante incorporado à nascença.