terça-feira, junho 20, 2006

Qual Paz, qual carapuça!

É, esta coisa das politiquices tem que se lhe diga, na Palestina, não contentes com a guerrilha de desgaste que têm com Israel, os Palestinos, agora desancam-se uns aos outros, que tipo de respeito querem aqueles cavalheiros que a comunidade internacional lhes dê, se eles se prestam a galfarrices do género western.
A luta de poder intestina entre o radicalismo assassino, do Hamas, por oposição à moderação da Fatha, irá provocar e já está a provocar a ruína absoluta da Autoridade Palestina, do Governo da Palestina e do próprio projecto independentista, de criação de um Estado Palestino Livre.
Em Timor assistimos à mesma luta pelo poder, intestina, onde gente poderosa manipula, os fantoches, pobres e sub nutridos a seu bel prazer, gerando violência e desconfiança, fazendo perigar um país que depois de 30 anos a sonhar com a independência tarda em se assumir, como no caso anterior, a teia de interesses internacionais é mais que muita, senão como explicar que as tropas da Austrália estejam a proteger, quer os insurgentes quer o governo.
No Afeganistão e no Iraque, a imposição da democracia, conceito arredio aquelas culturas, não está fácil, a instauração de conceitos por decreto, não funciona, como bem sabemos cá no burgo, no entanto os modernos cavaleiros da virtude, esforçam-se por pregar e impor uma moral, que eles não possuem, a ver vamos, quem ganha esta guerra de desgaste.
Estas quatro situações, simbolizam bem o estado do mundo actual, juntaríamos ainda o Sudão e toda a região do Corno de África, a guerra esquecida da Frente Polisário, dos Independentistas Kanakas da Polinésia Francesa, a guerrilha Maoista do Nepal, os movimentos revolucionários de Chiappas no México, os Tigres Tamil do Sri Lanka, a Chechénia a Abkazia o Nagorno Karabach, os Balcãs, a revolta dos Karen na Birmânia. Podemos dizer este não é um Mundo em paz, alias essa paz é, uma paz podre, que a maioria da Europa vive e o norte da América, porque a criminalidade em alguns destes países chega a provocar mais vitimas e mais desconforto que as guerras convencionais.
Por cá, na nossa pequenez de espírito, com frequência se ouve, que isto é um sossego, que comparado com outros, isto é o paraíso. Agora imaginem o que seria esta terra se a juntar às mortes na estrada, ao alcoolismo, à total falta de civismo e regras, à impunidade, desleixo, incúria e bandalheira generalizada. Se a isto se juntasse uma guerra ou um conflito político que degenerasse numa guerrilha de facções, aí este país seria verdadeiramente um local inabitável.

Um abraço, deste vosso amigo
Barão da Tróia

9 comentários:

elsaaaaa disse...

Mas que prazer, mas que honra...ser a primeira, hoje tenho que me conter no comentário que escrevo, pois fico muito susceptível e esposta...rssssssssssss.
Guerra do poder, a causa é sempre a mesma...mais, mais, poder, normalmente petróleo e/ou religião, pouco variável. Nós somos um país de brandos costumes, ou não tivessemos feito uma revolução sem derramar sangue a que orgulhosamnete intitularam e bem revolução dos cravos. Parabens pela forma como escreves irónicamente e usando um palavreado soberbo que nos relaxa e permite rir até, não deixando de dar um tom sério aos post´s. Boa semanita

elsaaaaa disse...

Ressalvo já de imediato o erro na palavra exposta (4ª. linha)...perdão, mas melhor prova não há do nervosismo que ser a primeira a comentar nos expõe...rssssssssssssssss

CN disse...

Pois é, mas as lutas intestinas, na Palestina, em Timor, por aí fora, não são mais, a maior parte das vezes, que reflexo dos interesses externos, da cobiça dos poderosos que não querem deixar de o ser.
Às vezes pergunto onde está a propalada tolerância das democracias... se o Hamas venceu as eleições de modo limpo, então porque razão nos o deixam governar a Palestina? Porque razão cortaram os financiamentos à administração palestiniana? O governo do Arafat sempre foi acusado de corrupção e não foi por isso que lhe cortaram os financiamentos. Agora, os tipos do Hamas podem ser acusados de tudo menos de corrupção... mas cortaram-lhes os financiamentos em nome dos métodos democráticos? Porque temem estar a alimentar terroristas? Parecem-me desculpas um bocado esfarrapadas...
Quanto a Timor, é uma pena, mas gostava de saber porque razão os revoltosos estão a ser protegidos pelas tropas australianas... acho isso muito estranho e completamente à revelia dos tradicionais métodos de acção em situações análogas.

Savonarola disse...

Embora tenha achado muito estimulante a análise internacional deste artigo, gostaria de me ater às considerações feitas no final sobre o estado desta nossa democracia, a portuguesa: efectivamente, fervilha nesta sociedade de aparente paz podre um clima de conflito, que os media tendem a fazer esbater. A criminalidade cresce exponencialmente, sem que o Estado disponha da vontade - ou serão os meios? - para lhe pôr cobro. Neste aspecto o que se passa neste cantinho parece ser também "ocidental". Nosso, muito nosso, é o mal estar social, resultante de uma política corporativista e de subserviência externa, que deixa os portugueses com as calças na mão... Um abraço

francis disse...

Abordagem sóbria. O Iraque é a prova de que a democracia não pode, simplesmente, ser servida como fast-food.
Na Palestina todos são vitímas de todos e já ninguém é inocente.
Quanto a Timor... fico triste, muito triste.
Excelente poste!

Daniela Mann disse...

É verdade...
Um abraço amigo

Cherry Blossom Girl disse...

Tens uma forma mt particular de escrever, que nos faz gostar daquilo que escreves.
Fim as injustiças do mundo.
***

js disse...

..só para informar que na ultima visita ao meu blog do sapo ...não colocaste corretamente o endereço do teu....
Quanto aos Palestinos ...depois de terem o apoio internacional... ao colocarem-se em guerras internas ... acabam por perder esse apoio...
FORÇ'AÍ!
js de http://politicatsf.blogs.sapo.pt

A Sonhadora disse...

Olha era o fim da ma..ca..ca...da!!!
por isso no meio da desgraça, ao menos que se safe alguma coisita!!!
Abracito